terça-feira, 2 de novembro de 2010

80 milhões não votaram em Dilma

O voto quase obrigatório elegeu a presidente com 40%

A cada dia procuro me aprofundar no voto obrigatório. Acredito que já não seja mais. O eleitor já não encara o voto com aquela responsabilidade, com a necessidade de carimbar o seu título como se fosse o passaporte para o céu. Aliás, nem o título é levado em conta mais na hora do voto. Os números dessas eleições presidenciais evidenciaram essa situação.


Há uma grande parcela do eleitorado que não se interessa em votar ou eleger ninguém. Agem como se fossem supremos, ao máximo, de nunca necessitar de um serviço público. Esquecem que quem aumenta ou diminui os impostos são os políticos; que quem determina a idade da aposentadoria ou o índice de reajuste dos proventos também são eles; que são eles também quem determinam os investimentos em saúde, educação, estradas, segurança, etc.

Por tudo isso, quanto mais omisso o eleitor, mais dará espaço para que as decisões sobre tantos assuntos importantes estejam nas mãos dos eleitos pela chamada “maioria simples” que foi à urna. Ou seja: quem não votou ou anulou o voto deixou a decisão da escolha para os outros. E o pior é que ainda se apresentam ufanistas, batendo no peito e afirmando: não votei em ninguém, fui lá e anulei; e outros preferiram o churrasco no rancho, a esticadinha até Caldas Novas ou a pescaria a ir às urnas. Fizeram programas diferentes como se não existisse mais nenhum feriado ou fim de semana para tais atividades de lazer.

Há uma parcela surda, muda, cega na sociedade que não se importa em vislumbrar que precisamos eleger representantes, por exemplo. No primeiro turno, em Araguari, tivemos cerca de 14.000 eleitores que simplesmente não votaram; outros mais de 6.000 que anularam ou votaram em branco. Simplesmente joga-se no lixo a chance de colocar dois deputados estaduais lá. Com mais 13.000 votos Araguari elegeria Jubão e Marcos Alvim para a Assembléia.

Mas onde estará esse eleitorado? Além de surdo, cego e mudo é também invisível. Ninguém consegue saber quem são sabichões independentes, que se acham incólumes à política, aos políticos e a tudo que vem deles. Seriam analfabetos que não conseguiriam votar? Jovens ainda imaturos que pra eles tanto faz? Gente consciente que riem de tudo isso? Pessoas desinformadas que não sabiam o dia da eleição? Não tenho bola de cristal, não sei onde estará esse eleitor “desligado”. Mas que existe, sim existe. A não ser alguns falecidos que ainda constam como ativos na justiça eleitoral, que engrossam o coro das abstenções.

Também podemos dizer que o distanciamento do eleitor da urna e da condição de decisão, acaba por tornar os políticos ainda mais descompromissados com a sociedade. Quem se elege, na maioria das vezes, acaba por não retribuir o voto pois não sabe se amanhã aquele mesmo que o elegeu e que será beneficiado, não entrará para o rol dos “invisíveis”?

Vejamos a eleição do segundo turno. Podemos dizer que a maioria conquistada por Dilma Roussef é uma maioria falsa. Por que? O Brasil tem 135 milhões de eleitores, porém a vencedora obteve deste universo apenas 55 milhões de votos. Sem titubear, numa rápida conta podemos dizer que 80 milhões de eleitores não votaram nela. Ela fora eleita com 40% dos votos apnas. Ela tem maioria dos que foram às urnas e votaram nesse ou naquele nome. Mas e os que não foram ou anularam o voto, o que pensam? São 60% dos eleitores. Pouco mais da metade fez opção por Serra. Mas uma grande parcela não optou por ninguém.

Destarte, podemos afirmar que, apesar da inscrição “obrigatório” o voto está cada vez menos obrigatório nesse país. A multa pra quem não votou é de 3,50. Uma taxa ridícula que instiga a qualquer cidadão a entrar no rol dos invisíveis. Recurso ínfimo que não servirá pra nada se compararmos os gastos milionários da justiça eleitoral para realizar uma eleição. É aquela história: promove-se uma festa para 135 milhões de pessoas, mas só 105 milhões comparecem. Houve então desperdício e grande de 20% dos investimentos. Não seria mais lógico calcular o prejuízo e dividir com os faltosos? Assim ficaria a conta mais justa.

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